Direitos
e funções da mulher (22)
“Deus
manifesta ainda na forma mais elevada possível a dignidade da mulher, ao
assumir ele mesmo a carne humana da Virgem Maria, que a Igreja honra como Mãe
de Deus, chamando-a nova Eva e propondo-a como modelo da mulher redimida.”
« Ao chegar a plenitude dos tempos, enviou
Deus o seu Filho, nascido duma mulher ». O Filho, Verbo consubstancial
ao Pai, nasce como homem de uma mulher, quando chega a « plenitude dos tempos ».
Precisamente essa « mulher » está presente no evento salvífico
central, que decide da « plenitude dos tempos »: esse evento realiza-se nela e
por seu meio.
Assim a « plenitude dos tempos » manifesta a
extraordinária dignidade da « mulher ».
Deste ponto de vista, a « mulher » é a
representante e o arquétipo de todo o gênero humano: representa
a humanidade que pertence a todos os seres humanos, quer homens
quer mulheres.
Por outro lado, porém, o evento de Nazaré
põe em relevo uma forma de união com o Deus vivo que pode pertencer
somente à « mulher », Maria: a união entre mãe e filho. A Virgem de Nazaré torna-se, de fato, a Mãe de
Deus.
Assim, considerando a realidade mulher-Mãe
de Deus, determina também o horizonte essencial da reflexão sobre a dignidade e sobre a
vocação da mulher. Maria — a mulher da
Bíblia — é a expressão mais acabada desta dignidade e desta vocação.
A
mulher recebeu do cristianismo toda a sua dignidade. O cristianismo protege a
mulher. Na mulher a religião cristã parece ser mais pura, mais doce e radiante.
Vimos começar a salvação por uma mulher anunciada desde a origem e em todas as
narrativas dos evangelhos as mulheres aparecem num papel notável.
Cristo
constituiu-se promotor da verdadeira dignidade da mulher. Diversas mulheres
aparecem no itinerário da missão de Jesus de Nazaré.
Folheando as páginas do Evangelho, passa
diante de nossos olhos um grande número de mulheres, de idade e condições diversas. Cada uma delas foi curada. Às vezes as
mulheres, que Jesus encontrava e que dele recebiam tantas graças, o
acompanhavam e elas « os assistiam com os seus bens ».Às vezes, figuras
de mulheres aparecem nas parábolas, com que Jesus de Nazaré ilustrava aos seus
ouvintes a verdade sobre o Reino de Deus.
Em todo o ensinamento de Jesus, como também
no seu comportamento, não se encontra nada que denote a discriminação, própria
do seu tempo, da mulher. Ao contrário, as suas palavras e as suas obras exprimem sempre o respeito e
a honra devidos à mulher.
Este modo de falar às mulheres e sobre
elas, assim como o modo de tratá-las, constitui uma clara « novidade » em
relação aos costumes dominantes do tempo.
Por isso Jesus dirá no Sermão da montanha:
« todo
aquele que olhar para uma mulher com mau desejo, já com ela cometeu
adultério no seu coração » (Mt 5, 28). Estas palavras, dirigidas diretamente ao
homem, mostram a verdade fundamental da sua responsabilidade em relação à
mulher: pela sua dignidade, pela sua maternidade, pela sua vocação. Mas,
indiretamente, elas se referem também à mulher. Cristo fazia tudo o que estava
ao seu alcance para que — no âmbito dos costumes e das relações sociais daquele
tempo — as mulheres reconhecessem no seu ensinamento e no seu agir a
subjetividade e dignidade que lhes são próprias. Tendo por base a eterna «
unidade dos dois », esta dignidade depende diretamente da própria mulher, como
sujeito responsável por si, e é ao mesmo tempo « dada como responsabilidade » ao homem.
Por isso, cada homem deve olhar para dentro
de si e ver se aquela que lhe é confiada como irmã na mesma humanidade, como
esposa, não se tenha tornado objeto de adultério no seu coração; não se tenha
tornado objeto de prazer, de exploração.
Cristo fala com as mulheres sobre as coisas
de Deus, e elas compreendem-nas: uma autêntica ressonância da mente e do
coração, uma resposta de fé.
No momento da prova definitiva e determinante para toda a missão
messiânica de Jesus de Nazaré, aos pés da Cruz se encontram, primeiras entre todos, as
mulheres. Dos apóstolos, somente João permaneceu fiel. As
mulheres, ao invés, são muitas. Estavam presentes não só a Mãe de Cristo e a «
irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena » (Jo 19, 25), mas « muitas mulheres que observavam de
longe.
Desde o início da missão de Cristo, a
mulher demonstra para com Ele e seu mistério uma sensibilidade especial que corresponde a uma característica da sua feminilidade. As mulheres são
as primeiras junto à sepultura. São as primeiras a encontrá-la vazia. São as
primeiras a ouvir: « não está aqui, porque ressuscitou, como tinha dito » (Mt 28, 6). São as primeiras a abraçar-lhe os pés (cf. Mt 28, 9). São também as primeiras a serem chamadas a anunciar
esta verdade aos apóstolos (cf. Mt 28, 1-10; Lc24, 8-11).
A força moral da mulher, a sua força espiritual une-se à
consciência de que Deus lhe confia de uma maneira especial o bomem, o ser humano.
Inspirando-se nesta consciência e neste ato de confiança, a força
moral da mulher exprime-se em numerosíssimas figuras femininas do Antigo
Testamento, do tempo de Cristo, das épocas sucessivas, até aos nossos dias.A mulher é forte pela consciência dessa missão, forte pelo fato de que Deus « lhe confia o homem », sempre e em todos os casos.
Deste modo, a « mulher perfeita » (cf. Prov 31, 10) torna-se um amparo insubstituível e uma fonte de força espiritual para os outros, que percebem as grandes energias do seu espírito. A estas « mulheres perfeitas » muito devem as suas famílias e, por vezes, inteiras Nações.
A Igreja, portanto, rende graças por todas e cada uma das mulheres: pelas mães, pelas irmãs, pelas esposas; pelas mulheres consagradas a Deus na virgindade; pelas mulheres que se dedicam a tantos e tantos seres humanos, que esperam o amor gratuito de outra pessoa; pelas mulheres que cuidam do ser humano na família, que é o sinal fundamental da sociedade humana; pelas mulheres que trabalham profissionalmente, mulheres que, às vezes, carregam uma grande responsabilidade social; pelas mulheres « perfeitas » e pelas mulheres « fracas » — por todas: tal como saíram do coração de Deus, com toda a beleza e riqueza da sua feminilidade;
A Igreja agradece todos os frutos de santidade feminina.
Meditando o mistério bíblico da « mulher », a Igreja reza, a fim de que todas as mulheres encontrem neste mistério a si mesmas a sua « suprema vocação ».
Mãos a obras mulheres cristãs! Formem gerações novas e preparem uma sociedade religiosa sobre as ruínas de um mundo sético. Mãos a obras mães! Pois são as mulheres que formam os costumes. A mãe de família não é uma mulher como as outras. Possuem uma grande dignidade. Ela é a rainha, mestra, senhora e educadora do lar. É tudo. Elas podem fazer de seus filhos bons cristãos. Elas formam o caráter da sua prole. O melhoramento do gênero humano está nas mãos dessas mulheres.
A missão da mulher é grande e sublime. Só as mulheres podem receber uma nova vida dentro de si. O
corpo da mulher “fala” a linguagem da receptividade e relacionamento. As
mulheres ou sendo mães biológicas ou espirituais nutrem a vida emocional,
espiritual, moral e cultural de toda a humanidade.
Toda mulher é
chamada a ser fecunda e a ter frutos abundantes. Toda mulher é chamada a ser
portadora de Cristo, assim como Maria foi.A transformação da sociedade e da cultura em uma civilização do amor e da vida começa na mulher, pois é na mulher que se revela o mistério da vida.
Fontes: FAMILIARIS CONSORTIO e MULIERIS DIGNITATEM.
Emília Briand
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